domingo, 25 de março de 2012

Dias de tortura.

Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.
Te escrevo, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, pra ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.
Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.

Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?

Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas uma idiota que esquecei de ir?


sexta-feira, 16 de março de 2012

Votos de submissão.

Caso você queira posso passar sua blusa, aquela que você não usa por estar amarrotada.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhada.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como minha a minha pele de algodão macia, agora quente, será fresca quando janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas - Depois plantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera.
Os meus desejos irei ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
Nem vou deixar - mesmo querendo - nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia. 





(texto adapitado.)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Vem?!

Cala a boca, vem logo. Para de pensar “e se…”, esquece isso. Apenas vem, me abraça, me pega pela cintura, me beija. Sorria entre o beijo, pausa ele, e vá até o meu ouvido e sussurra  que você me quer. Porque eu sou sua, e eu só quero você. Vamos viver o agora, eu e você, só eu e você. Eu estou com saudades, saudades do seu toque, do seu abraço. Vem pra mim, fica aqui comigo hoje, amanhã e depois… Por favor. Me acostumei com seu perfume, com seus casacões, com o quentinho dos seus braços protetores. É que nos teus braços é o meu lugar, meu aconchego, minha nova morada. Preciso ouvir sua risada de novo, preciso ouvir que você não consegue dormir porque está pensando em mim. Vem ser minha pra sempre vem... Vem?!


quinta-feira, 8 de março de 2012

Elas.

Mulher é sexta-feira. Cheia de entusiasmo e ansiedade, reclama dos dias, mas adora as horas vividas. Faz pose de final de semana, sai e balança a cabeleira pra si mesma. Põe salto alto pra aumentar a bunda e encolher a barriguinha. Rebola com as amigas e faz o tempo parar quando passa na frente dos marmanjos. Sai só pra dançar (ou não), bebe destilados ou cerveja com a delicadeza de Vênus e olha para as estrelas com ar de diva.
Com um sorriso no rosto reclama do ex e enobrece o atual. Chora de saudades da infância e da comida da mãe. Mas mulher que faz pose de boazinha demais, santinha demais, tem o zap na manga. Pode acordar, abre o olho, rapaz, ninguém é tão santa, nem tão demônio quanto aparenta. Até porque, como dizem, mulheres boazinhas não enriquecem!
Mulher é pimenta. O cheiro pode parecer bom, mas se não souber a quantidade certa, a intensidade e o jeito, sai chorando. Não que sejamos estrategicamente feitas para arder a vida, é que o intervalo entre a doçura e a explosão por fissão é a 'pimentude' feminina. O levantar de uma sobrancelha, o passo mais forte, os dentes cerrados e barulhentos, os olhos de prazer ou de ódio, os extremos vivendo em uma só.
Mulher é peça única. Mulher igual só por fabricação em série e mesmo assim sai com defeitos diversos. Somos e admitimos ser milimetramente defeituosas, cheias de pontas duplas e rímel borrado. Mas cada uma tem o gosto, o jeito, a qualidade, a especialidade de demonstrar o olhar exato no momento certo (ou não).
Homem adora mulher de bem com a vida. Homem adora sexta-feira, cerveja e mulher. E mulher adora ser quem é, sexta-feira da paixão.